Como funciona a Selic e o que muda nos seus investimentos
Guia · Educação Financeira
Por Pro Investidor · Guia completo

A Selic é a taxa de juros mais importante do Brasil: ela influencia o preço do crédito, o rendimento dos seus investimentos e até o ritmo da inflação. Mesmo assim, muita gente ouve o número no noticiário sem saber de onde ele vem. Neste guia, explicamos como funciona a Selic: o que ela é, quem a define, por que ela sobe ou cai e o que muda na renda fixa, na poupança, na bolsa e nas dívidas.

13,75%Selic ao ano após a decisão de setembro de 2026
8reuniões do Copom por ano
9integrantes com direito a voto no Copom
3%meta de inflação, com tolerância de 1,5 ponto

1. O que é a taxa Selic

Selic é a sigla de Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, o ambiente administrado pelo Banco Central onde os bancos negociam títulos públicos federais. Nesse sistema, as instituições financeiras emprestam dinheiro umas às outras por um dia, com títulos do governo como garantia. Dessa forma, elas fecham o caixa do dia equilibrado, conforme as regras do Banco Central, segundo o InfoMoney.

Dessas operações surgem dois números que costumam ser confundidos, e vale diferenciá-los desde o início:

Selic meta e Selic over
TaxaO que éQuem define
Selic metaA taxa-alvo que o Banco Central quer atingir, citada no noticiário e usada como referência para os juros do paísO Copom, a cada reunião
Selic overA taxa média efetivamente praticada nas operações de um dia entre os bancos; costuma ficar muito próxima da meta, um pouco abaixo delaO mercado, a partir das operações diárias

Por exemplo, quando alguém diz que “a Selic está em 13,75%”, refere-se à Selic meta. Em outras palavras, é a taxa que serve de ponto de partida para todos os outros juros da economia.

2. Quem define a Selic e como funciona o Copom

A Selic meta é definida pelo Comitê de Política Monetária, o Copom, que faz parte do Banco Central. Ele reúne o presidente da instituição e os seus oito diretores, ou seja, nove integrantes com direito a voto, segundo o InvestNews.

O Copom realiza oito reuniões ordinárias por ano, aproximadamente a cada 45 dias. Cada encontro dura dois dias. No primeiro, os integrantes analisam o cenário. Em seguida, no segundo dia, votam a nova taxa, que é divulgada em comunicado oficial. Além disso, o calendário das reuniões é divulgado com antecedência no site do Banco Central, e as atas, que detalham a discussão, são publicadas alguns dias depois.

Na prática, o comitê avalia a inflação, a atividade econômica, o mercado de trabalho, as contas públicas e o cenário internacional. Com base nisso, decide se mantém, eleva ou reduz a taxa.

3. Por que a Selic sobe ou cai

O principal objetivo da Selic é manter a inflação perto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, hoje de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. Quando os preços sobem acima do desejado, o Banco Central tende a elevar os juros. Já quando a inflação está sob controle e a economia perde força, ele pode reduzi-los.

O que costuma acontecer quando a Selic muda
ÁreaSe a Selic sobeSe a Selic cai
Crédito e financiamentosFicam mais carosTendem a ficar mais baratos
ConsumoCostuma desacelerarCostuma ganhar impulso
InflaçãoA pressão sobre os preços tende a diminuirA pressão pode aumentar, se a economia aquecer
Renda fixa novaRende maisRende menos
Bolsa de valoresPerde atratividade para muitos investidoresGanha atratividade

Essas relações são tendências, e não regras fixas. Afinal, o efeito de cada mudança depende do momento da economia, do que o mercado já esperava e de fatores como o câmbio e as contas públicas.

4. Histórico recente da Selic em 2026

O ano de 2026 começou com a taxa em 15% ao ano e, a partir de março, o Copom iniciou uma sequência de cortes. Assim, a tabela mostra as decisões que levaram a taxa ao nível atual, conforme as fontes consultadas.

Decisões do Copom em 2026
ReuniãoDecisãoSelic
28/01Manutenção15,00%
18/03Redução de 0,25 ponto14,75%
29/04Redução de 0,25 ponto14,50%
17/06Redução de 0,25 ponto14,25%
05/08Redução de 0,25 ponto14,00%
16/09Redução de 0,25 ponto13,75%

Além disso, os dados de janeiro a junho vêm do InfoMoney, os de agosto do Nubank e os de setembro do Economic News Brasil. Como a taxa muda a cada reunião, confira sempre o valor atual no site do Banco Central.

5. Como a Selic afeta os seus investimentos

Porém, cada tipo de investimento reage de forma diferente. Por isso, entender a relação ajuda a evitar decisões por impulso.

  • Renda fixa pós-fixada: o Tesouro Selic, os CDBs que pagam um percentual do CDI, as LCIs e as LCAs tendem a render mais quando a Selic sobe e menos quando ela cai.
  • Prefixados e títulos atrelados à inflação: o preço de mercado desses títulos oscila com os juros futuros. Assim, quem vende antes do vencimento pode ter ganho ou perda, enquanto quem segura até o fim recebe a taxa contratada.
  • Poupança: quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, rende 0,5% ao mês mais a TR. Quando está em 8,5% ou menos, rende 70% da Selic mais a TR, segundo o InfoMoney.
  • Ações: juros altos tornam o crédito mais caro para as empresas e aumentam o retorno da renda fixa, o que costuma reduzir o interesse pela bolsa. No entanto, o efeito varia por setor, e bancos e seguradoras podem se beneficiar.
  • Fundos imobiliários: concorrem com a renda fixa e costumam ser sensíveis às mudanças de juros.

Vale lembrar que o rendimento líquido não é igual à Selic. Os investimentos de renda fixa sofrem imposto de renda em uma tabela regressiva, que vai de 22,5% a 15% conforme o prazo, e podem ter taxas. Por isso, compare sempre o rendimento depois dos descontos.

6. Selic, CDI e IPCA: qual é a diferença

Três siglas que aparecem juntas
SiglaO que representa
SelicA taxa básica de juros definida pelo Copom
CDIA taxa dos empréstimos entre instituições financeiras; costuma ter valores muito próximos aos da Selic e serve de referência para CDBs e fundos
IPCAO índice oficial de inflação do país, calculado pelo IBGE, que mede a variação dos preços ao consumidor

Em resumo, a Selic e o CDI andam juntos, enquanto o IPCA mostra se o seu dinheiro está perdendo poder de compra. Assim, o que importa para o investidor é o ganho acima da inflação, o chamado rendimento real.

7. Erros comuns sobre como funciona a Selic

  • Achar que Selic alta é sempre ruim. Ela encarece o crédito, mas também melhora o retorno de quem investe em renda fixa.
  • Confundir Selic com rendimento. O seu ganho depende do produto, do prazo e dos descontos.
  • Tentar prever o Copom. Nem o mercado acerta sempre, e por isso planejar pelo seu prazo é mais seguro.
  • Deixar tudo na poupança. Em geral, com a Selic acima de 8,5%, há opções de baixo risco que rendem mais, embora cada uma tenha as suas regras.

8. Perguntas frequentes sobre a Selic

Como funciona a Selic na prática? O Copom define a taxa-alvo, e o Banco Central usa as operações com títulos públicos para manter a taxa dos bancos perto dessa meta. Dessa forma, o juro básico orienta todos os outros juros da economia.

Qual é a Selic hoje? Após a decisão de setembro de 2026, a taxa estava em 13,75% ao ano. Como ela muda a cada reunião, consulte o valor atual no site do Banco Central.

Quem define a Selic? O Copom, formado pelo presidente do Banco Central e pelos oito diretores.

De quanto em quanto tempo a Selic muda? O Copom se reúne oito vezes por ano, cerca de a cada 45 dias, e pode manter, elevar ou reduzir a taxa em cada reunião.

Selic e CDI são a mesma coisa? Não, mas têm valores muito próximos. A Selic é a taxa básica, e o CDI é a taxa dos empréstimos entre bancos.

A Selic influencia a poupança? Sim. A regra de remuneração muda conforme a Selic esteja acima ou abaixo de 8,5% ao ano.

A Selic alta é boa para quem investe? Para a renda fixa, costuma ser. Para quem tem dívidas, é ruim. Por isso, a resposta depende da sua situação.

Fontes e metodologia

Conteúdo elaborado a partir de fontes oficiais e de veículos de referência, seguindo a Política Editorial do site. Taxas, datas e regras mudam: confira sempre os valores atuais no Banco Central. Fontes consultadas:

Aviso legal: este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional e não constitui recomendação de compra, venda ou manutenção de qualquer ativo. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Investimentos envolvem riscos, inclusive de perda do capital. Consulte um profissional certificado antes de decidir.

By Eduardo Martins

Eduardo Martins é especialista em mercado financeiro e investimentos. Com anos de experiência analisando empresas e acompanhando a economia brasileira, dedica-se a produzir conteúdos claros e objetivos para ajudar investidores a tomarem decisões mais conscientes.

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